quinta-feira, 14 de maio de 2020

A Reforma pela Europa e a Contrarreforma


Reformas Protestantes e Contra Reforma Católica | Kuadro - Pré ...
A Alemanha e a França destacaram-se quando se tratava da Reforma Protestante:

Na Alemanha: Iniciou-se com o monge alemão Martinho Lutero, que teve suas 95 teses espalhadas pela Europa em menos de um mês. Foi processado por heresia notória pela Igreja Católica, excomungado e exilado por um ano. Mas já era tarde, a população começava a apoiar Lutero e até alguns padres e freiras entraram nessa rebelião ideológica a favor dele. Alguns conflitos armados aconteceram, em resposta às questões sociais. Martinho Lutero chegou a ser convocado para desmentir suas teses, mas no lugar disso, ele continuou defendendo-as e pedindo por uma reforma.

Na França: Com o inicialmente humanista João Calvino e ex-integrante do Clero, a França começou sua reforma no ano de 1534. Ele era visto como um representante importante do movimento protestante e logo atraiu muitos banqueiros e burgueses para o “calvinismo”. Mesmo após a sua morte, em 1564, ele permanece como uma figura central da história da Suíça (local para qual fugiu depois de perseguições na França). O Calvinismo surge num segundo momento da Reforma Protestante, na França, com João Calvino (1509-1564). Enquanto os luteranos acreditam que as pessoas alcançam o caminho da salvação mediante a fé e o seu comportamento voltado para boas ações, os calvinistas pregam a Doutrina da Predestinação, que significa que caminho de cada pessoa já está traçado por Deus.

Na Inglaterra, diferentemente das demais regiões, a Reforma Religiosa ocorreu a partir da iniciativa de um rei, e não de teólogos críticos às doutrinas e práticas do clero católico. O motivo que levou o soberano inglês Henrique VIII a se desligar da Igreja de Roma foi a não aceitação de seu pedido de divórcio enviado ao papa Clemente VI.
Henrique VIII era casado com Catarina de Aragão, nobre de origem espanhola. O motivo do pedido seria o fato de sua esposa não lhe dar um filho homem, situação que impossibilitava ao sobreano inglês deixar em seu lugar no trono da Inglaterra um descendente seu. Dos seis filhos de Catarina, apenas a princesa Maria sobreviveu. O interesse de Henrique VIII era casar com Ana Bolena, uma dama da corte da Inglaterra, e com ela poder ter um filho que o sucederia. Como não foi aceito o pedido pelo papa, o rei inglês declarou seu divórcio da rainha através de um tribunal nacional, em 1533. Um ano depois, Henrique VIII foi excomungado por Clemente VI.
Após Henrique VIII ser excomungado, foi decretado na Inglaterra o Ato de Supremacia, pelo qual o soberano inglês passava a ser o chefe supremo da Igreja da Inglaterra. Com essa medida, era criada a chamada Igreja Anglicana. O rei inglês passava a ter o poder de nomear os ocupantes dos cargos eclesiásticos, além de decidir sobre assuntos de ordem religiosa. A estrutura eclesiástica foi mantida, adotando-se, porém, posteriormente, a doutrina teológica desenvolvida por João Calvino.
No aspecto econômico, o Estado Inglês confiscou todos os bens da Igreja Católica, principalmente as terras dos mosteiros, que foram vendidas a vários nobres, comerciantes e fazendeiros. Tais medidas agradaram aos gentry, membros da pequena nobreza ligados ao comércio e às atividades econômicas do nascente capitalismo.

Contrarreforma
Em resposta a Reforma Protestante, a Igreja Católica iniciou a contrarreforma, tentando frear os protestantes.
A Contrarreforma, de modo geral, consistiu em um conjunto de medidas tomadas pela Igreja Católica com o surgimento das religiões protestantes. A Contra reforma estabeleceu um conjunto de medidas que atuou em duas vias: atuando contra outras denominações religiosas e promovendo meios de expansão da fé católica.
Uma das principais medidas tomadas foi a criação da Companhia de Jesus. Designados como um braço da Igreja, os jesuítas deveriam expandir o catolicismo ao redor do mundo. Contando com uma estrutura hierárquica rígida, os jesuítas foram os principais responsáveis pelo processo de catequização das populações dos continentes americano e asiático. Utilizando um sistema de rotinas e celebrações religiosas regulares, a Companhia de Jesus conseguiu converter um grande número de pessoas nos territórios coloniais europeus.
A Inquisição, instaurada pelo Tribunal do Santo Oficio, outra instituição eclesiástica criada na Contrarreforma, teve como principal função combater o desvio dos fiéis católicos e a expansão de outras denominações religiosas. Além de perseguir protestantes, a Santa Inquisição também combateu judeus e islâmicos, que eram considerados pecadores e infiéis. Entre outras formas, a Inquisição atuava com a abertura de processos de investigação que acatavam denúncias contra hereges e praticantes de bruxaria. Caso fossem comprovadas as denúncias, o acusado era punido com sanções que iam desde o voto de silêncio até a morte na fogueira.
Em 1542, o Concílio de Trento, uma reunião dos principais líderes da Igreja organizada pelo papa Paulo III, selou o conjunto de medidas tomadas pela Contrarreforma. No Concílio de Trento estabeleceu-se o princípio de infabilidade papal e a declaração do Índex, conjunto de livros proibidos pela Igreja. Além disso, a Vulgata foi estabelecida como versão oficial da Bíblia Sagrada, foi proibida a venda de indulgências e todas as doutrinas católicas foram reafirmadas.
O principal acontecimento dessa medida desesperada da igreja foi o massacre de São Bartolomeu, que vitimou cerca de 100 000 protestantes na França. E após toda essa luta pela reforma, o Protestantismo conseguiu tornar-se um dos principais ramos do cristianismo.

A Reforma Protestante


31 de outubro (1517) | 500 anos da Reforma Protestante
Reforma Protestante é o nome dado ao movimento reformista que surgiu no cristianismo no século XVI. Esse movimento iniciou-se a partir de Martinho Lutero, um monge católico que estava insatisfeito com algumas práticas e questões teológicas defendidas pela Igreja Católica. A atuação de Lutero teve como ponto de partida a divulgação das 95 teses, que rapidamente espalharam-se pela Europa e deram origem ao reformismo no seio da Igreja Católica. Da atuação de Lutero, surgiu o protestantismo.

Causas da Reforma Protestante
A Reforma Protestante teve causas relacionadas a aspectos políticos, econômicos e teológicos e resultou da corrupção existente na Igreja Católica. Além disso, teve resultado de interesses políticos oriundos de nobres que viram na reforma uma possibilidade de romper o vínculo de autoridade com o papa. Por fim, foi imposta a questão dos interesses econômicos, uma vez que a Igreja estipulava a cobrança de impostos de todos seus fiéis.
No aspecto teológico, o ponto imediato a ser destacado é a insatisfação de Martinho Lutero com as práticas da Igreja Católica. A Igreja de Roma era, naquele período, a maior autoridade da Europa Ocidental e detinha um imenso poder, uma vez que era dona de terras e riquezas gigantescas.
Além disso, a autoridade do papa impunha-se além do campo religioso, alcançando o campo secular (político). Os reis da Europa tinham seu poder sustentado pela autoridade da Igreja, uma vez que era praticamente impossível manter-se no comando sem a aprovação do papa. Sendo assim, a Igreja Católica possuía o monopólio da vida política e religiosa europeia.
Focando no aspecto teológico, muitos começaram a questionar as posições da Igreja. Antes mesmo de Lutero, já havia existido na Europa movimentos religiosos e figuras do clero católico que questionavam determinados princípios do catolicismo. A longo prazo, pode-se ressaltar, por exemplo, os valdenses, que surgiram na França no final do século XII.
Em um período imediato, isto é, poucos anos antes do início da reforma, existiram os pré-reformadores na Europa, que teceram críticas à Igreja de Roma. Dois nomes que se destacaram nesse contexto foram John Wycliffe e Jan Hus. O primeiro criticava o acúmulo de poder político e os desvios da Igreja dos verdadeiros ensinamentos de Jesus. O segundo tecia críticas parecidas contra o enriquecimento da Igreja e a venda de indulgências.
Em relação às questões políticas, existia uma série de reis, nobres e autoridades em geral que estavam interessados em romper o poder secular com o religioso. Isso significa que muitos viam o rompimento como uma forma de consolidar ou de assegurar mais poder sem a necessidade de ter que se sujeitar a outra autoridade – no caso, o papa.
Nas questões econômicas, há de se destacar que, na região norte da Europa, havia uma insatisfação muito grande com a quantidade de impostos que deveriam ser repassados para a Igreja. Tal questão intensificava-se em um contexto em que as penínsulas Itálica e Ibérica estavam em franco desenvolvimento e enriquecimento, enquanto regiões como a que corresponde à atual Alemanha eram pobres e enfrentavam dificuldades econômicas.

Martinho Lutero
A insatisfação e as críticas à Igreja Católica tiveram seu ápice em Martinho Lutero, monge agostiniano e professor de Teologia. Lutero estava insatisfeito com certas condutas da Igreja, sobretudo com as indulgências, que eram comuns na Igreja Católica da época. Nesse contexto, essa prática acontecia por meio dos dízimos feitos pelos fiéis para a Igreja em troca do perdão de seus pecados.
Além disso, o papa Leão X havia oferecido indulgências para aqueles que contribuíssem com dinheiro para a construção da Basília de São Pedro. Lutero tinha também discordâncias de conteúdo teológico a respeito da salvação e de outras práticas e ações da Igreja. Com isso, o monge elaborou um documento conhecido como 95 teses.
A partir de então, as ideias de Lutero espalharam-se pela Europa com rapidez. Nesse momento, a intenção de Lutero não era romper com a Igreja Católica, ele queria apenas que se realizasse uma reforma em determinadas questões. O rompimento de Lutero com a Igreja Católica só aconteceu quando foi excomungado pelo papa, em 1521.

95 teses
As 95 teses, documento no qual Lutero manifestava sua oposição teológica às práticas da Igreja de Roma, foram enviadas para o arcebispo de Mainz, Alberto de Brandemburgo, em 31 de outubro de 1517. A intenção de Lutero era levantar um debate para que reformas dentro da Igreja acontecessem.
Martinho Lutero defendia, basicamente, que a Bíblia era a única referência para os fiéis e que as pessoas conseguiriam ser salvas sem a mediação de intermediários e sem precisar dar indulgências. A base teológica de Lutero baseava-se em um versículo bíblico que afirmava que “o justo viverá pela fé”. Aqui, Lutero passou a defender a ideia de que não eram as boas ações que salvariam uma pessoa, mas sim a fé.
A construção teológica iniciada por Martinho Lutero deu origem a um princípio conhecido como Cinco Solas:
1. Sola fide (somente a fé)
2. Sola scriptura (somente a Escritura)
3. Solus Christus (somente Cristo)
4. Sola gratia (somente a graça)
5. Soli Deo gloria (glória somente a Deus)

As 95 teses espalharam-se com rapidez pela Europa por conta da imprensa (criada em 1430 por Johann Gutenberg), a qual permitia a cópia e a impressão de livros em uma velocidade inédita para a época. Com isso, as ideias de Lutero propagaram-se e conquistaram seguidores em toda a Europa.
Um registro importante é a famosa imagem de Martinho Lutero pregando as 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Muitos consideram esse o ponto de partida da Reforma Protestante, mas os historiadores nunca conseguiram comprovar se esse episódio de fato aconteceu. Portanto, os historiadores consideram esse fato somente uma lenda.

Primeiros reformadores da Reforma Protestante
Antes de Lutero, já havia casos de cristãos que contestaram princípios e práticas da Igreja Católica. No século XII, a partir das pregações de Pedro Valdo, surgiram na França os valdenses, que se espalharam pelo norte da Itália, sobrevivendo às perseguições da Igreja Católica.
No caso específico da pré-reforma, os historiadores destacam Jan Hus e John Wycliff, que questionavam a riqueza da Igreja, a acumulação de poder temporal e a corrupção existente no clero. Caso tenha interesse em ampliar seus conhecimentos a respeito desses precursores da Reforma Protestante, sugerimos a leitura deste texto.

Protestantismo
Da atuação de Martinho Lutero, surgiu o protestantismo, vertente do cristianismo que rompeu com a Igreja Católica. Como citado, o rompimento de Lutero com a Igreja Católica aconteceu a partir do momento em que foi excomungado e passou a ser perseguido por ela.
As ideias de Lutero espelharam-se pela Europa, resultando na conversão de milhares de pessoas e no surgimento de outros reformadores, como João Calvino. Com isso, o protestantismo foi consolidando-se como vertente religiosa, e dele nasceram diversas igrejas e denominações protestantes.
Atualmente, existem várias denominações cristãs oriundas do protestantismo, como os batistas, os presbiterianos, os metodistas, os luteranos, os calvinistas, os anglicanos, etc. No Brasil, mais de 20% da população identifica-se como “evangélica”, denominação que agrupa igrejas teologicamente nascidas do protestantismo.

Renascimento


O que foi o RENASCIMENTO? Resumo Completo e Exemplos!
O Renascimento foi um importante movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou na passagem da Idade Média para a Moderna. Em um quadro de sensíveis transformações que não mais correspondiam ao conjunto de valores apregoados pelo pensamento medieval, o renascimento apresentou um novo conjunto de temas e interesses aos meios científicos e culturais de sua época. Ao contrário do que possa parecer, o renascimento não pode ser visto como uma radical ruptura com o mundo medieval.

Características do Renascimento:
A razão, de acordo com o pensamento da Renascença, era uma manifestação do espírito humano que colocava o indivíduo mais próximo de Deus. Ao exercer sua capacidade de questionar o mundo, o homem simplesmente dava vazão a um dom concedido por Deus (neoplatonismo). Outro aspecto fundamental das obras renascentistas era o privilégio dado às ações humanas, ou humanismo. Tal característica representava-se na reprodução de situações do cotidiano e na rigorosa reprodução dos traços e formas humanas (naturalismo). Esse aspecto humanista inspirava-se em outro ponto-chave do Renascimento: o elogio às concepções artísticas da Antiguidade Clássica ou Classicismo.

Relação com a burguesia e o individualismo
Essa valorização das ações humanas abriu um diálogo com a burguesia, que floresceu desde a Baixa Idade Média. Suas ações pelo mundo, a circulação por diferentes espaços e seu ímpeto individualista ganharam atenção dos homens que viveram todo esse processo de transformação privilegiado pelo Renascimento. Ainda é interessante ressaltar que muitos burgueses, ao entusiasmarem-se com as temáticas do Renascimento, financiavam muitos artistas e cientistas surgidos entre os séculos XIV e XVI. Além disso, podemos ainda destacar a busca por prazeres (hedonismo) como outro aspecto fundamental que colocava o individualismo da modernidade em voga.

As cidades italianas e o mecenato
A aproximação do Renascimento com a burguesia foi claramente percebida no interior das grandes cidades comerciais italianas do período. Gênova, Veneza, Milão, Florença e Roma eram grandes centros de comércio, onde a intensa circulação de riquezas e ideias promoveu a ascensão de uma notória classe artística italiana. Até mesmo algumas famílias comerciantes da época, como os Médici e os Sforza, realizaram o mecenato, ou seja, o patrocínio às obras e estudos renascentistas. A profissionalização desses renascentistas foi responsável por um conjunto extenso de obras que acabou dividindo o movimento em três períodos: o Trecento, o Quatrocento e Cinquecento. Cada período abrangia respectivamente uma parte do período que vai do século XIV ao XVI.

Períodos do Renascimento
Durante o Trecento, podemos destacar o legado literário de Petrarca (“De África” e “Odes a Laura”) e Dante Alighieri (“Divina Comédia”), bem como as pinturas de Giotto di Bondoni (“O beijo de Judas”, “Juízo Final”, “A lamentação” e “Lamento ante Cristo Morto”). Já no Quatrocento, com representantes dentro e fora da Itália, o Renascimento contou com a obra artística do italiano Leonardo da Vinci (Mona Lisa) e as críticas ácidas do escritor holandês Erasmo de Roterdã (Elogio à Loucura).
Leonardo da Vinci foi um dos maiores expoentes do Renascimento
Na fase final do Renascimento, o Cinquecento ganhou grandes proporções, dominando várias regiões do continente europeu. Em Portugal, podemos destacar a literatura de Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno) e Luís de Camões (Os Lusíadas). Na Alemanha, os quadros de Albrercht Dürer (“Adão e Eva” e “Melancolia”) e Hans Holbein (“Cristo morto” e “A virgem do burgomestre Meyer”). A literatura francesa teve como seu grande representante François Rabelais (“Gargântua e Pantagruel”). No campo científico, devemos destacar o rebuliço da teoria heliocêntrica defendida pelos estudiosos Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno. Tal concepção abalou o monopólio dos saberes, até então controlados pela Igreja.

Impacto do Renascimento
Ao abrir o mundo à intervenção do homem, o Renascimento sugeriu uma mudança da posição a ser ocupada pelo homem no mundo. Ao longo dos séculos posteriores ao Renascimento, os valores por ele empreendidos vigoraram ainda por diversos campos da arte, da cultura e da ciência. Graças a essa preocupação em revelar o mundo, o Renascimento suscitou valores e questões que se fizeram presentes em outros movimentos concebidos ao longo da história ocidental.

Fases da Revolução Francesa


Revolução Francesa (1789): resumo, causas e exercícios - Toda Matéria
Os motivos que levaram a população francesa a realizar uma revolução estavam ligados principalmente à estrutura feudal que ainda vigorava no país. O privilégio detido pela aristocracia e pelo clero obrigava camponeses a pagarem altos tributos. Além disso, problemas climáticos nos anos que antecederam a revolução causaram más colheitas, preços altos e fome entre grande parte do povo. As pessoas das cidades também estavam insatisfeitas, e novos grupos sociais surgiam com novos interesses, principalmente a burguesia.
Para tentar aplacar as insatisfações, o rei Luís XVI convocou a Assembleia dos Estados Gerais, em 1788. Formavam os estados gerais três ordens: o clero, a nobreza e o povo. Porém, durante a Assembleia, não houve acordo entre as ordens. O rei dissolveu a assembleia. O povo rebelou-se contra o rei, invadindo a Bastilha, e apresentou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Os camponeses passaram a ocupar as terras dos senhores e a persegui-los, no que ficou conhecido como o “Grande Medo”. Tinha início a Revolução Francesa.
Para fins de estudo dividimos a Revolução Francesa em três fases:
Primeira fase (1789-1792): Monarquia Constitucional;
Segunda fase (1792-1794): Convenção - 1792/1793 e Terror;
Terceira fase (1794-1799): Diretório.

Monarquia Constitucional (1789-1792)
No dia 26 de agosto de 1789 foi aprovada pela Assembleia a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Esta Declaração assegurava os princípios da liberdade, da igualdade, da fraternidade (“Liberté, égalité, fraternité” - lema da Revolução), além do direito à propriedade.
A recusa do rei Luís XVI em aprovar a Declaração provoca novas manifestações populares. Os bens do clero foram confiscados e muitos padres e nobres fugiram para outros países. A instabilidade na França era grande.
A Constituição ficou pronta em setembro de 1791. Dentre os muitos artigos podemos destacar: o governo foi transformado em monarquia constitucional; o poder executivo caberia ao rei, limitado pelo legislativo, constituído pela Assembleia; os deputados teriam mandato de dois anos; o voto não teria caráter universal: só seria eleitor quem tivesse uma renda mínima (voto censitário); suprimiu-se os privilégios e as antigas ordens sociais; confirmou-se a abolição da servidão e a nacionalização dos bens eclesiásticos; manteve-se a escravidão nas colônias
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O Terror (1792-1794)
Internamente, a crise começava a provocar divisão entre os próprios revolucionários.
Os girondinos - representantes da alta burguesia, defendiam posições moderadas.
Por sua parte, os jacobinos - representantes da média e da pequena burguesia, constituía o partido mais radical, sob a liderança de Maximilien Robespierre.
Havia também o Grupo da Planície, que representava a burguesia financeira e mudava de posição com relação a girondinos e jacobinos conforme o que lhes convinha.
Foi assim instalada a ditadura jacobina que introduziu novidades na Constituição como: Voto universal e não censitário; fim da escravidão na colônias; congelamento de preços de produtos básicos como o trigo; instituição do Tribunal Revolucionário para julgar os inimigos da Revolução.
Nessa altura, foram ordenadas a morte, pela guilhotina, de várias pessoas que eram contra a revolução. As execuções tornaram-se um espetáculo popular, pois aconteciam diversas vezes ao dia num ato público.
O próprio rei Luís XVI foi morto desta forma em 1793. Meses depois a rainha Maria Antonieta também foi guilhotinada. Essa fase, entre 1793 e 1794, é conhecida como “O Terror”.
A Lei dos Suspeitos aprovava a prisão e a morte cruel dos anti revolucionários. Nessa mesma altura, as igrejas eram encerradas e os religiosos obrigados a deixar seus conventos. Aqueles que recusavam eram executados. Além da guilhotina, os suspeitos eram afogados no rio Loire.
Para os ditadores, essas execuções eram uma forma justa de acabar com os inimigos. Essa atitude causava terror na população francesa que se voltou contra Robespierre e o acusou de tirania.
Nessa sequência, após ser detido, também Robespierre foi executado na ocasião que ficou conhecida como “Golpe do 9 Termidor”, em 1794.

Diretório (1794-1799)
A fase do Diretório dura cinco anos de 1794-1799 e se caracteriza pela ascensão da alta burguesia, os girondinos, ao poder. Recebe este nome, pois eram cinco diretores que governavam a França neste momento.
Inimigos dos jacobinos, seu primeiro ato é revogar todas as medidas que eles haviam feito durante sua legislação.
No entanto, a situação era delicada. Os girondinos atraíram a antipatia da população ao revogar o congelamento de preços, por exemplo.
Vários países europeus como a Inglaterra e o Império Austríaco ameaçavam invadir a França a fim de conter os ideais revolucionários. Por fim, a própria nobreza e a família real no exílio, buscavam organizar-se para restaurar o trono.
Diante desta situação, o Diretório recorre ao Exército, na figura do jovem e brilhante general Napoleão Bonaparte para conter os ânimos dos inimigos.
Desta maneira, Bonaparte dá um golpe - o 18 Brumário - onde instaura o Consulado, um governo mais centralizado que traria paz ao país por alguns anos.

Revolução Francesa


▷ Revolução Francesa - RESUMO, Causas e Etapas!

A Revolução Francesa é o nome dado ao ciclo revolucionário que aconteceu na França entre 1789 e 1799 que marcou o fim do absolutismo nesse país. Essa revolução, além de seu caráter burguês, teve uma grande participação popular e atingiu um alto grau de radicalismo, uma vez que a situação do povo francês era precária em virtude da crise que o país enfrentava.

A Revolução Francesa foi um marco na história da humanidade, porque inaugurou um processo que levou à universalização dos direitos sociais e das liberdades individuais a partir da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Essa revolução também abriu caminho para a consolidação de um sistema republicano pautado pela representatividade popular, hoje chamado de democracia representativa. A Revolução Francesa só foi possível graças à popularização dos ideais do Iluminismo.

Causas
A Revolução Francesa foi resultado da crise política, econômica e social que a França enfrentou no final do século XVIII. Essa crise marcou o fim da monarquia absolutista que existia na França há séculos e da antiga ordem de privilégios que constituía o Antigo Regime Francês. Nessa época, a França era governada por Luís XVI, e a sociedade era dividida em classes sociais, conhecidas como Estados:
Primeiro Estado: clero;
Segundo Estado: nobreza;
Terceiro Estado: povo, definição genérica que incorpora o restante da sociedade francesa.
A sociedade francesa era muito bem definida: um grupo que possuía uma série de privilégios em detrimento do restante do país. É importante observar que o Terceiro Estado era uma classe extremamente heterogênea, formada por grupos distintos, como a burguesia e o campesinato.

De toda forma, a sociedade francesa era marcada por uma desigualdade extrema, uma vez que nobreza e clero gozavam de privilégios, como a isenção de determinados tributos e o direito de cobrar impostos por suas terras. Essa desigualdade social era a raiz da crise enfrentada pela França no século XVIII.

A França, nesse período, começou a sofrer as consequências de seu atraso econômico em relação às mudanças que estavam acontecendo no mundo em decorrência do avanço do capitalismo. As tentativas de reforma que haviam sido cogitadas na segunda metade do século XVIII fracassaram, porque nobreza e clero impunham forte resistência a qualquer medida que resultasse na perda de seus privilégios.

Além do atraso em relação ao avanço do capitalismo, principalmente em comparação com a Inglaterra, havia também os gastos elevados e desnecessários do governo francês nessa época. Um grande exemplo foi o envolvimento da França na Revolução Americana, o que causou um grande impacto na economia francesa.

O resultado foi uma crise econômica duríssima que impactou diretamente as relações sociais, pois a nobreza intensificou a exploração sobre o povo, principalmente sobre o campesinato e a classe média francesa. Isso aconteceu em decorrência da ocupação de cargos governamentais pela nobreza (até então, esses cargos eram destinados à classe média) e do aumento dos impostos cobrados dos camponeses.

Esse aumento de tributos foi extremamente pesado, pois grande parte dos camponeses não possuía terras. Assim, foram obrigados a ceder uma parcela cada vez maior de sua renda, que era utilizada basicamente para a própria subsistência. Dessa forma, a situação do campesinato nos vinte anos que antecederam a Revolução Francesa agravou-se consideravelmente.

Segundo o historiador Hobsbawm, “o Estado francês gastava cerca de 20% a mais do que deveria, usava 50% do seu orçamento para pagar dívidas, e a inflação crescia rapidamente”. Tamanha crise econômica demandava reformas, mas, como mencionado, nobreza e clero não estavam dispostos a abrir mão de seus privilégios. Em 1788, as colheitas na França haviam sido ruins, o que aumentou consideravelmente o custo de vida tanto no campo quanto nas cidades. Logo, em 1789, a França já se encontrava em estado avançado de convulsão social. O efeito disso foi que a crise instalada nesse momento empurrou as pessoas para a rebelião e para o banditismo. Para contornar esse cenário, os Estados Gerais foram convocados.

Os Estados Gerais eram uma espécie de assembleia que surgiu na França medieval e que era convocada em momentos de crise (a última convocação havia sido feita em 1614). O povo francês via nessa assembleia uma forma de obter soluções para a situação do país. Para entender essa esperança popular, é importante saber como os Estados Gerais funcionavam.

Os Estados Gerais reuniam representantes dos três Estados que formavam a sociedade francesa. As soluções debatidas nesse conselho eram determinadas a partir de votação, que era realizada por Estado, e não por indivíduo. Sendo assim, nobreza e clero sempre se uniam para derrotar o Terceiro Estado. O grande problema é que, naquele momento, os representantes do Terceiro Estado começaram a exigir que o voto fosse individual, o que possibilitaria que as propostas da burguesia (grupo que representava o povo no conselho) fossem aprovadas. A proposição do Terceiro Estado por voto individual foi rejeitada, o que o motivou a criar uma Assembleia Nacional Constituinte.
Todo esse contexto fez com que o povo colocasse suas esperanças nos representantes do Terceiro Estado. Assim, o apoio popular foi a chave do sucesso das ações da Assembleia Nacional Constituinte. A população, já insatisfeita, enfureceu-se quando o rei mostrou-se contrário à Constituição que estava sendo elaborada e ordenou o fechamento da Constituinte.

Assim, em 14 de julho de 1789, a população parisiense conhecida como sans-culottes rebelou-se e atacou a Bastilha, prisão para onde eram enviados os opositores do Absolutismo Francês e símbolo do Antigo Regime. A Queda da Bastilha, nome pelo qual ficou conhecida a tomada da prisão pela população parisiense, marcou o início da Revolução Francesa e espalhou o fervor revolucionário pelo país.

A partir da Queda da Bastilha, o processo revolucionário francês estendeu-se por dez anos e só foi finalizado com o Golpe de 18 de Brumário, organizado por Napoleão Bonaparte.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

A Dinâmica da 2ª Guerra Mundial

Nos primeiros anos da guerra os nazistas avançaram rapidamente sobre os seus adversários. Essa tática era chamada de guerra-relâmpago (Blitzkrieg) e consistia no rápido ataque de tanques blindados apoiados pela aviação (Luftwaffe). Em seguida chegavam as tropas de ocupação (infantaria).
Com essa nova estratégia os nazistas dominaram a Polônia e até 1940 conquistaram: Dinamarca; Holanda; Bélgica; Noruega e França. A Itália se aliou a Hitler e Portugal, Espanha e Irlanda se mantiveram neutros.
Contornando a Linha Maginot os nazistas ocuparam Paris, foi organizado no território francês um governo que colaborava com os nazistas e era sediado na cidade de Vichy. Esse governo ficou conhecido como Regime de Vichy. Os franceses que lutavam contra os nazistas formaram a organização França Livre.
A entrada na guerra de EUA e URSS mudou os rumos do conflito.
Em junho de 1941 Hitler determinou a invasão da URSS rompendo com o pacto de não agressão. Os EUA entraram na guerra após o ataque japonês a base militar naval de Pearl Habor no oceano Pacífico, em dezembro de 1941.

A Frente Oriental
Foi onde ocorreram os combates mais violentos. Na invasão da URSS os nazistas concentraram 65% dos seus exércitos, seus melhores equipamentos e suas tropas de elite. 
Nos anos de 1941 e 1942 os alemães avançaram rápido no território soviético chegando próximo a Moscou. Mas Stalin e seu governo conseguiram fortalecer a determinação dos soviéticos.
Em setembro de 1942, as tropas nazistas invadiram a cidade de Stalingrado, onde foi travada uma das batalhas mais violentas da guerra. Há relatos de que os soldados nazistas levavam dias para tomar uma única casa. No final da batalha os alemães foram derrotados acabando com o mito da invencibilidade alemã. Em seguida os soviéticos passaram da defesa ao ataque avançando sobre os territórios ocupados pelos nazistas. Nesse momento são descobertos os campos de concentração, estimasse que aproximadamente 4 milhões de Judeus foram exterminados nos campos de concentração, sendo o maior deles o de Auschwitz, na Polônia.

A Frente Ocidental
Os EUA colocaram todos os seus recursos bélicos e industriais no conflito. a partir de julho de 1942 os alemães começaram a sofrer a intensificação dos ataques aliados, principalmente das forças aéreas da Inglaterra e dos EUA. Em julho de 1943 as tropas aliadas desembarcaram na Sicília e iniciaram a invasão da Itália. Mussolini foi preso e afastado do poder, mas com a ajuda dos nazistas Mussolini volta ao poder e mais tarde em 1945 é mais uma vez preso e executado. Os aliados retomaram A ofensiva no território da Itália, nessa campanha a forças expedicionária brasileira (FEB) teve participação.

Fim da Guerra
A terceira e última fase da Segunda Guerra foi marcada pela série de operações desencadeadas a partir do “Dia D”, isto é, o dia 6 de junho de 1944. Foi nesse dia que cerca de 100.000 soldados aliados desembarcaram nas praias da Normandia, na França. Os objetivos das operações do Dia D eram, entre outros, libertação das principais cidades europeias ocupadas pelos alemães, a ocupação de Berlim e a invasão do chamado “Ninho da Águia”, nos Alpes bávaros, o reduto do Partido Nazista, no qual se encontravam líderes do alto escalão.
Em abril de 1945, intuindo a derrocada do III Reich, Hitler suicidou-se com sua mulher, Eva Braun, em seu Bunker, em Berlim. Aos poucos, os territórios ocupados foram sendo libertados pelos aliados, que acabaram descobrindo os campos de concentração e extermínio, como o de Auschwitz. A última batalha importante travada na Europa durante a Segunda Guerra foi a Batalha de Berlim, na qual o Exército Vermelho soviético enfrentou o que restava do Exército alemão, pondo fim à guerra no continente. Por ser o primeiro exército a entrar em Berlim, o exército soviético foi considerado o melhor do mundo.

A Bomba Atômica
Entretanto, a guerra prosseguia no Oriente, com incessantes bombardeios (convencionais) americanos às cidades japonesas, além de combates em terra firme, como foi o caso da Batalha de Iwo Jima. O ponto final da guerra e, por conseguinte, a rendição do Império Japonês só ocorreram com a suprema demonstração de poder militar por parte dos Estados Unidos com o lançamento de duas bombas atômicas. A primeira caiu sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945; a segunda, em Nagasaki, em 9 de agosto do mesmo ano. Juntas, as duas bombas vitimaram cerca de 160.000 pessoas, instantaneamente.
Após esse evento traumático, o Japão assinou a sua rendição em 2 de setembro de 1945 sob a pessoa do Ministro das Relações Exteriores japonês, Mamoro Shigemitsu. A guerra chegava ao fim com sequelas bastantes difíceis de serem curadas.
Para muitos estudiosos, o uso da bomba atômica foi um crime de guerra praticado pelos USA com o único objetivo de demonstrar poder militar e intimidar a URSS.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A Alemanha invade seus Vizinhos

Baseado na teoria do Espaço Vital, em 1936 Hitler ocupou a Renânia, região na fronteira com a França cortada pelo rio Reno. Os franceses nada fizeram, pois estavam envolvidos em questões de política interna, os generais franceses confiavam nas táticas e estratégias usadas na Primeira Guerra e construíram a Linha Maginot (uma linha de fortificações na fronteira entre os dois países).

Em março de 1938 os nazistas anexaram a Áustria sem esforço militar, já que, o partido nazista austríaco fez uma forte campanha no sentido de que austríacos e alemães faziam parte do mesmo povo germânico, daí deveriam formar uma única e forte nação. Assim, o Anschluss (união), foi confirmado por meio de um plebiscito na Áustria em abril de 1938.

Logo depois Hitler manifestou o desejo de anexar os Sudetos, uma região que pertencia a Tchecoslováquia. Nessa região viviam aproximadamente 3000 alemães, que segundo Hitler estavam sendo oprimidos pelo governo tcheco. Os tchecos alegaram que não passava de um pretexto de Hitler para dar continuidade a sua política expansionista. Em setembro de 1938, líderes europeus se reuniram na Conferência de Munique para tentar resolver a questão, mas Hitler não permitiu a participação dos thecos, principais interessados. Franceses e ingleses, em nome de uma política de apaziguamento, concordaram que Hitler anexasse a região, desde que parasse com as invasões. Daí, Munique entrou para a história como sinônimo de retirada covarde. Em outubro de 1938, Hitler anexa os Sudetos e em seguida toda a Tchecoslováquia.

Em 23 de agosto de 1939, representantes do governo de Hitler e de Stalin assinaram um pacto de não agressão e decidiram ocupar e dividir a Polônia. Em 1 de setembro as forças alemãs invadiram pelo Oeste e em 17 do mesmo mês os soviéticos invadiram pelo Leste. Dois depois do ataque alemão à Polônia, França e Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Era o início da Segunda Guerra Mundial.